Sábado, Outubro 30, 2004

Os Condutores Deste País

A circulação automóvel é vista
Como um caos por todo o lado
Mas o que mais me irrita
É o condutor mal educado


Ele insulta e não é raro
Quase sempre sem ter razão
Mas ao volante do seu carro
Ele julga-se um campeão.


Ultrapassa em qualquer lado
A ninguém dá atenção
Ele vai desalvorado
E nem respeita o peão.


Ele só quer acelerar
Se aparece algum na frente
Não consegue parar
Para evitar o acidente.


Então vai tudo à frente
Ainda quer ter razão
Depois ou fica demente
Ou então vai no caixão.


Ainda há dias aconteceu
Fiquei azedo que nem um alho
Ouvi gritar um camafeu
"Mais depressa velho do c..."


Já se devia ter preparado
Um código de ética para obrigar
Os condutores mal educados
A todos respeitar.


A Máquina Fiscal

Se a máquina fiscal
Tivesse sido oleada
Por obrigação moral
Devia estar modernizada


Só assim se pode evitar
Que muitos fujam ao fisco
Os que não querem pagar
Nem respeitam o ministro


Não se pode ser enganado
Por um qualquer espertalhão
Muito contrariados
Se forem obrigados, lá vão


Até o próprio Estado
Dá exemplos a valer
O dinheiro tem esbanjado
Não dá para entender


Os que pagam impostos
Pagam cada vez mais
Para compensar os marotos
São os mesmos, são os tais


Devem impostos em série
Dizem-nos publicamente
O que paga porque quer
Eles dizem que está demente


Este governo deve ir em frente
Para pôr a casa em ordem
Não a deixe como antigamente
Acabe com a desordem

Sábado, Outubro 02, 2004

Lápis azul, azul laranja

Em Agosto passado enviei uma carta, motivada por declarações de Luís Filipe Menezes, Presidente da Câmara de V.N.Gaia, a propósito do europeu de futebol, com pedido de publicação na íntegra, ao director do Correio da Manhã, João Marcelino, a qual acabei por ver publicada, mas truncada (censurada?).
Ao que creio, é essa uma das grandes forças dos blogues, a circulação das ideias e das informações sem qualquer censura e passíveis de ser comentadas, recomentadas e ampliadas ao abrigo das investidas directas dos censores ... e isso é fascinante, mesmo para quem, como eu, está já nos setentas.
Por tal facto, o meu texto de abertura é a reprodução da carta acima aludida, desta vez na íntegra, seguida do excerto publicado pelo Correio da Manhã.


Ainda o Euro 2004

Gostava de dizer ao Sr. Dr. Luís Filipe Menezes que estamos de acordo quanto à boa organização do Euro 2004. Felizmente tudo correu bem, foi uma grande festa nacional, mas festa é festa. Não confundamos as coisas. O povo não é estúpido, sabe bem o que é o interesse nacional e o bem-estar dos portugueses. Mas há alguns figurões que se julgam donos das consciências da maioria do nosso povo; por isso querem meter tudo no mesmo saco, como lhes convém. Não posso concordar com essa mistura entre política e futebol, e por isso admiro quem quer separar as águas e pôr fim a essa promiscuidade. Se essa atitude fosse generalizada os políticos davam mais atenção - como é seu dever - à prevenção dos incêndios florestais, às pontes que continuam a cair, às derrocadas dos prédios por falta de manutenção, às falências fraudulentas ou por incompetência, às pessoas que ficam sem casa e sem emprego...
Nesses assuntos V. Exa. não fala. O orgulho nacional não é só futebol. A maioria dos portugueses gostaria que esse catalisador e essa estratégia que V. Exa. defende para o futebol fossem também - e fundamentalmente - defendidas e aplicadas aos restantes sectores do país. Esse é o apelo fundamental ao Primeiro-ministro. Isso o povo agradeceria.O futebol serve apenas uma minoria que enriquece cada vez mais. O político que dá prioridade ao futebol sobre outros sectores mais importantes da sociedade portuguesa não pode ser bom governante.
Eu sou um homem do povo; não sou nenhum pseudo-intelectual..."


Passo agora a transcrever o fragmento publicado pelo jornal:

"O orgulho nacional não é só futebol. Gostava de dizer ao dr. Luís Filipe Menezes que estamos todos de acordo quanto à boa organização do Euro'2004, foi uma grande festa nacional, mas festa é festa e o bem-estar dos portugueses é outra coisa. Não confundamos as coisas e não metam tudo no mesmo saco, como convém aos políticos. O político que dá prioridade ao futebol sobre outros sectores mais importantes da sociedade não pode ser bom governante."